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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Estupro: o que é, como não fazer

Nem vou me aprofundar na história do BBB, pois ainda estou muito indignada de como tudo foi tratado. Eu sei o que eu vi no vídeo e não posso chamar de "o amor é lindo" como Pedro Bial.

Esse texto abaixo não e meu foi retirado do site Papo de Homem (http://t.co/12xhnvMy ). É um texto inteligente do Alex Castro recheado de ironias por favor não se ofenda.

Estupro: o que é, como não fazer

Ontem à noite, houve um estupro ao vivo no BBB. Ou talvez não. Ou talvez sim. Afinal, o que é um estupro?
Definir agressões de modo restrito é o melhor modo de esvaziá-las.

Se estupro for só entre estranhos em becos desertos com violência física, então quase nada é estupro. Nós, homens, podemos forçar a barra com nossa amiga bêbada e depois dormir de consciência limpa.

(O mesmo argumento vale pra racismo, pra homofobia, etc. Se racista é só quem lincha negro e chama de macaco, então quase ninguém é racista, problema resolvido. Por que esses negros ficam se fazendo de vítima, hein?)
Estamos há séculos ensinando as meninas como se vestir e como agir – para a segurança delas, claro! Mas talvez fosse a hora de ensinar os meninos como não-estuprar.

Quando ensinamos nossa filha a não usar saia tão curta, não é que estamos perpetuando uma prática milenar patriarcal de controlar o corpo das mulheres! Nãããão! É porque queremos o bem delas, pôxa!

Mas, dentre esses pais que controlam as saias das filhas com tanta ênfase e afico, quantos já usaram a MESMA ênfase e o mesmo afinco para controlar os hormônios e os impulsos dos filhos? Para ter uma conversa franca e aberta sobre estupro e escolha?

Como já sabiam os portugueses e espanhóis que passaram pela América salpicando nome de santo por todos os lados, definir é poder. Quem define o que é estupro, racismo, homofobia já está a meio caminho andado de ganhar a discussão.

Se homem engravidasse, aborto seria não só permitido e disseminado como ainda inventariam toda uma narrativa cultural para enobrecê-lo: que quanto mais abortos mais garanhão (“já comi trinta e abortei vinte e cinco, rárá!”); que o primeiro aborto seria um rito de passagem (“meu filho é um hominho, já fez o primeiro aborto!”), até mesmo que a dura decisão de abortar seria prova de macheza e caráter (“quando o Clint fica assim caladão e sério é porque está pensando em todos os abortos que já fez, que másculo!”).

Seria importante os pais conversarem com os filhos sobre estupro justamente porque não é fácil definir estupro. Se não é fácil em uma conversa civilizada na sala, então é mais difícil ainda de madrugada, no fim da festa, com álcool na cabeça e hormônios em fúria, entre duas pessoas que são tão falhas e fracas, tão covardes e indecisas quanto qualquer um de nós já foi tantas vezes.

Sim, é verdade: às vezes a gente não sabe o que quer, às vezes a gente muda de ideia, às vezes a gente diz que quer mas não quer. Mas também é verdade que às vezes a gente agride e é agredido, violenta e é violentado. E aí? Como saber com certeza? Como definir? Em que momento “ai, ai, não, não” vira “não, não, vou chamar a polícia”?

Nunca temos certeza de nada nessa vida, mas recomendo a seguinte regra: em caso de dúvida, não estupre.

Está em poder dos homens erradicar a prática do estupro. Só depende de nós – e não das saias das meninas.



Créditos: Site Papo de Homem http://t.co/12xhnvMy

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011

Retrospectiva Positiva de 2011




Começarei a retrospectiva com uma pessoa que foi muito importante para causa GLBT o ministro Ayres Britto. A seguir um trecho do seu voto a favor do reconhecimento legal da união civil GLBT "O órgão sexual é um plus, um bônus, um regalo da natureza. Não é um ônus, um peso, um estorvo, menos ainda uma reprimenda dos deuses. Não há nada mais privado aos indivíduos do que a prática de sua própria sexualidade. A liberdade para dispor de sua própria sexualidade insere-se no rol de liberdades do indivíduo, expressão que é de autonomia de vontade. Esse direito de explorar os potenciais da própria sexualidade tanto é exercitado no plano da intimidade, quanto da privacidade, pouco importando que o parceiro adulto seja do mesmo sexo ou não." AYRES BRITTO, MINISTRO





Após a revogação da regra "não pergunte, não fale", que proibia gays de exporem sua opção sexual nas forças armadas americanas, duas marinheiras lésbicas foram as primeiras a darem o cobiçado beijo de boas vindas, na quarta-feira, depois de uma delas ficar mais de 80 dias no mar. As informações são da AP.
A oficial de segunda classe Marissa Gaeta desembarcou do USS Oak Hill e, ainda de uniforme, recebeu um beijo de sua parceira, a oficial de terceira classe Citlalic Snell. O gesto fez com que a plateia gritasse e balançasse bandeiras ao redor das duas. O comandante do USS Oak Hill, David Bauer, afirmou que o beijo provocou uma reação positiva na tripilação após saberem da notícia. "Nós vamos seguir e isso não vai ofuscar as grandes conquistas dessa tripulação nos últimos três meses", disse. A embarcação retornou de uma missão na América Central, onde os 300 tripulantes participaram de exercícios militares em Honduras, Guatemala, Colômbia e no Panamá.
As duas marinheiras são controladoras de fogo, responsáveis por manter e operar o sistema de armas das embarcações. Elas se conheceram quando dividiram quarto na escola de treinamento e estão juntas há dois anos, período que elas afirmam ter sido difícil por causa do "não pergunte, não fale". A regra que permitia que gays pudessem servir nas forças armadas americanas desde que não falassem abertamente sobre sua opção sexual foi revogada em setembro, após 18 anos em vigor.



Eleito pelos leitores de BRAVO! como Artista Bradesco Prime do ano, o ator Marco Nanini falou à publicação sobre sua orientação sexual, tema que antes deixava de lado. “Às vezes, pintam umas namoradas, uns namorados... namoradas, não. Namorados... mas, se não pintam, sem problemas. Já vivi o que necessitava viver nessa seara”, contou o ator.



A resposta de Marcelo Tas ao deputado Jair Bolsonaro. As declarações do deputado, que entendeu errado uma pergunta de Preta Gil no “CQC” e destampou um poço de preconceitos e grossuras, escandalizaram metade do país (a outra metade, infelizmente, gostaria de votar nele nas próximas eleições). Mas, de todas as reações que o brucutu provocou, nenhuma foi tão ferina e profunda quanto a de Marcelo Tas. Na semana seguinte, o apresentador do programa proclamou ao vivo e a cores todo o amor e orgulho que sente pela filha Luiza, que é lésbica.




A audiência da novela "Amor e Revolução" (SBT) quase dobrou na noite desta quinta-feira com a exibição do primeiro beijo gay em uma telenovela brasileira. A novela, que vinha com média de 5 pontos de audiência, teve pico de 9 pontos. No total, o capítulo teve média de 6 pontos (cada ponto equivale a 58 mil domicílios na Grande SP) e 11% de share (participação de TVs ligadas).

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Cássia Eller

Cássia Eller




Fiquei aqui pensando em que escrever sobre essa maravilhosa cantora que dizia com todas as letras que não levantava nenhuma bandeira a favor da causa gay e ao mesmo tempo dizia sempre que era perguntada que era casada com Maria Eugênia. Ela poderia negar mesmo estando "óbvio" pelo seu jeito de vestir ou trejeitos, também poderia se declarar bi ou que gostava de pessoas, mas não em poucas palavras dizia sou casada com a Maria Eugênia e fim. Mesmo depois do seu falecimento deu um passo importante e levantou uma discussão que mexeu com o Brasil a guarda de Chicão deveria ser dada a sua companheira Maria Eugênia a outra mãe que também o criou ou ao seu avô porque a legislação brasileira diz que órfãos deverão ficar com sob a guarda de seus avós.
Poderia ficar falando das músicas que eu mais gosto ou como é lindo o clipe no recreio, mas vou repoduzir trechos de uma entrevista da Cássia a revista Marie Claire um pouco tempo antes do seu falecimento e o que ela disse nessa entrevista caso ela falecesse quem deveria cuidar do seu filho.



MC É difícil conviver com você?
CE Não, sou superfácil. Mas essa coisa de birita com cocaína é muito ruim. Faz mal, deixa a pessoa agressiva. Depois de me tratar, passei a resolver problemas que antes eu não conseguia. Por exemplo, meu pai foi operado e fui eu que falei com o médico. Nunca fiz isso, era sempre a criançona da família. Mesmo com meu filho: quando ele se machucava e eu tinha que correr para o hospital, ficava que nem barata tonta, chorando com ele no colo. Aí vinha a Eugênia, pegava a gente e levava para a clínica. Tenho plano de saúde, tudo direitinho, mas eu me atrapalhava toda.

MC Você e a Eugênia estão juntas há quanto tempo?
CE Estamos casadas há 14 anos.

MC Como você apresentou a Eugênia para sua família?
CE Eles já sabiam que eu gostava de mulher. A gente não conversava sobre isso, mas eles viam. Mamãe sabia. A entrada da Eugênia em casa foi superlegal, só a mamãe que ficou meio assim, mas não porque era mulher. É que minha mãe é ciumenta com a gente, com os namorados das minhas irmãs também.

MC E seu pai?
CE Papai é tranqüilo. Nunca falou nada. Mas eu nunca cheguei em casa e disse: "Essa aqui é minha namorada, a gente vai casar". Foi acontecendo. Hoje em dia todo mundo fala que o melhor casamento da família é o meu.

MC Como se faz um casamento feliz e duradouro?
CE Não sei! Acho que encontrei a pessoa certa. Dei uma sorte danada. É um absurdo o tanto que a gente se dá bem, se completa. Isso é uma coisa louca. E ela sempre foi muito paciente comigo.

MC Por que é preciso ser paciente com você?
CE No início do meu tratamento de desintoxicação, tive um monte de recaídas. Em vez de a Eugênia ficar me dando esporro, ela deixava passar, esperava até o dia seguinte para conseguir falar comigo de cabeça fria. Foi difícil, mas ela me conhece, sempre me deu a maior força para eu me cuidar.

MC Você já gostou de algum homem?
CE Sempre tive tesão em homem. Não sou radical. Lógico que eu namorei muito mais com mulher. Com homem foi mais... esporrádico [risos]. Mas eu tenho tesão em homem também e me apaixonei pelo pai do Chicão [o músico Otávio Fialho, morto num acidente automobilístico, pouco antes do parto].

MC Como seu casamento resistiu a isso?
CE Não sei, não sei, não sei! A Eugênia sabe que tesão é uma coisa natural. Eu sei e ela sabe que a gente quer viver juntas, que a gente tem uma vida legal, uma história superlegal. E que a gente ama a nossa história.

MC Quem vai à reunião da escola do seu filho? Você ou a Eugênia?
CE Nós duas. Se eu estiver viajando, vai ela. Mas a gente gosta mais de ir juntas.

MC O que significou a maternidade na sua vida?
CE Foi uma coisa maravilhosa, um passo importantíssimo. Sempre quis ter filho, desde criança pensava nisso.



MC Nunca se perguntou se a sua opção sexual ia interferir na vontade de ser mãe?
CE Não. Eu sabia que queria ter um filho e sabia que não precisava ficar casada com um homem para isso.

MC Você amamentou o Chico até que idade?
CE Três anos e meio.




MC No fundo você é uma mãezona bem careta, então?
CE Uai, eu sou de família mineira! Eu acho que não pode tirar os peitos do menino, não. Ele tem o tempo dele, tem que ser natural. Lógico que tem o tempo da gente também... mas eu amava amamentar. Morro de saudade de ver meu peito espirrando leite. Esperei o Chico não querer mais, mas ele sempre queria. Só parou porque fui fazer uma turnê, fiquei 20 dias fora, aí foi parando.

MC Você prefere solidão para trabalhar?
CE Agora tenho essa necessidade. A solidão está virando um método. Eu gostava de estudar com gente na sala, com a Eugênia vendo a novela e o Chicão brincando. Mas agora eu fiz um quarto com todos os meus instrumentos. Estou adorando.

MC Você é obsessiva?
CE Completamente. Sou assim para tudo. Na música, na paixão, na droga. Vou até o talo quando gosto muito de uma coisa.

MC Você sente que conquistou o lugar que queria?
CE Cada vez mais. Gravei meu primeiro disco em 90, canto desde os 18, mas nunca pensei num objetivo definido. Eu saí fazendo.

MC Você não planejou a carreira, ela aconteceu. Você não liga para dinheiro, ele apareceu. Você nunca explicou para a família sua opção sexual, mas foi aceita. Como você vê sua história?
CE Não penso nisso. Eu sou muito dispersa, não traço uma reta e sigo. Se acontece uma coisa no meio do caminho, eu me distraio.

MC É o prazer que te orienta?
CE Sei lá! Mas pode dizer que sim.


MC Teu "escritório" é palco, estúdio e estrada. Você achava que um dia ia ter um trabalho assim?
CE Era tudo o que eu queria, achava que era utopia, mas está acontecendo.

MC Ficou orgulhosa de ter realizado sua utopia pessoal?
CE Orgulhosa acho meio pesado. Mas eu estou satisfeitíssima

MC Alguma vez você teve medo de virar uma artista de gueto pelo fato de não ter escondido sua opção sexual?
CE Muito, porque essas coisas independem da gente. Eu temia que os outros fizessem muita arruaça em torno disso. Tive medo de virar a patrona do mundo gay, fujo desse tipo de coisa. Tem aquela parada gay em São Paulo, que sempre me convida para participar, mas eu não vou. Acho lindo, maravilhoso que tenha a parada gay. Mas é que eu já faço isso o ano todo. Acho que participo vivendo minha vida abertamente, sem esconder nada. Tem gente que me pergunta cheia de escrúpulos sobre meu casamento e eu não tenho nenhum problema em falar disso. Ao contrário, acho até legal, porque normalmente essas coisas são escondidas e a dificuldade dos homossexuais no Brasil é muito grande.

MC Que tipo de dificuldade você passou?
CE Já tive complicações burocráticas que não quero falar aqui. Mas eu gostaria de casar com a Eugênia, ter um contrato de casamento legalizado mesmo. Queria poder garantir os direitos dela e do Chico. No caso de separação ou de morte, a Eugênia não tem nenhum documento que prove que estamos casadas há 14 anos. É claro que, se me acontecer alguma coisa, meus bens têm que ir para ela e meu filho. E a guarda do meu filho tem que ser dela, é ela a mãe. Olha a confusão.

MC Você tem alguma questão pendente com a família do pai do seu filho?
CE Não, não tenho contato. O pai do Chico era casado quando eu engravidei, tinha a família dele e morreu de acidente antes de o Chico nascer.

MC Como seu filho foi registrado?
CE Como filho de mãe solteira, sem o nome do pai. Quando o Chico me pergunta sobre isso, eu conto tudo. Nunca escondi nada, porque foi assim pelas circunstâncias, nunca por descaso.

Os trechos da entrevista foram tirados do site da revista Marie Claire: http://migre.me/7kTqp